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Alta complexidade

Aneurisma toracoabdominal: endoprótese ramificada

Quando a dilatação envolve o segmento da aorta de onde saem as artérias dos órgãos, o planejamento se torna individualizado.

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CRM 52.0108.215-9  ·  RQE 49448  ·  Jardim Botânico · Rio de Janeiro
A condição

Quando o aneurisma atravessa o diafragma

Chamamos de aneurisma toracoabdominal aquele que compromete simultaneamente a aorta torácica descendente e a aorta abdominal, atravessando a região do diafragma. É justamente nesse trecho que emergem as artérias responsáveis pela irrigação de órgãos vitais: o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais.

Essa particularidade anatômica altera todo o planejamento. Não é possível simplesmente revestir o segmento dilatado, porque isso interromperia o fluxo para o fígado, o estômago, o intestino e os rins. O tratamento precisa, ao mesmo tempo, excluir o aneurisma e preservar cada uma dessas artérias.

Por essa razão, o aneurisma toracoabdominal é considerado uma das situações de maior complexidade da cirurgia vascular, tanto na modalidade aberta quanto na endovascular.

Tecnologia

Endopróteses fenestradas e ramificadas

A abordagem endovascular desses aneurismas utiliza dispositivos desenhados para respeitar as artérias viscerais. Nas endopróteses fenestradas, o tecido do dispositivo recebe aberturas posicionadas exatamente sobre a origem de cada artéria. Nas ramificadas, pequenos ramos tubulares saem do corpo principal e são conectados às artérias por meio de revestimentos próprios.

Em boa parte dos casos, esses dispositivos são fabricados sob medida, a partir dos dados obtidos na angiotomografia daquele paciente. Cada milímetro importa: a posição das fenestrações precisa coincidir com a anatomia real.

Existem também soluções de prateleira, com configuração padronizada, aplicáveis quando a anatomia se enquadra nas especificações do dispositivo. A escolha entre uma e outra estratégia faz parte do planejamento e é definida caso a caso.

Planejamento

O que antecede o procedimento

I.

Estudo anatômico

Reconstrução tridimensional da angiotomografia, com mapeamento da origem de cada artéria visceral e das artérias de acesso.

II.

Avaliação clínica

Análise cardiológica, pulmonar e renal, além da condição funcional, para dimensionar riscos e preparar o organismo para o procedimento.

III.

Estrutura e equipe

Procedimentos dessa natureza demandam ambiente hospitalar com recursos de imagem adequados e equipe multiprofissional habituada a esse tipo de caso.

Transparência

Riscos que precisam ser discutidos abertamente

O tratamento do aneurisma toracoabdominal carrega riscos proporcionais à sua complexidade. Entre as preocupações específicas está a isquemia medular, decorrente da redução do aporte sanguíneo à medula espinhal, que pode se manifestar por alterações de força nas pernas. Existem medidas de proteção reconhecidas, como o controle rigoroso da pressão arterial no período perioperatório e, em situações selecionadas, a drenagem de líquido cefalorraquidiano.

Também merecem atenção a função renal, sobretudo pelo uso de contraste e pela manipulação das artérias renais, além de complicações cardíacas, pulmonares e relacionadas aos acessos arteriais.

Nenhum desses riscos é apresentado aqui para assustar, mas para deixar claro que a decisão de tratar exige ponderação cuidadosa entre o risco da doença e o risco do procedimento. Essa análise é feita individualmente, em consulta.

Formação

Experiência dedicada à aorta complexa

O Dr. Matheus Mannarino realizou fellowship no Hôpital Marie Lannelongue, em Paris, centro de referência em cirurgia endovascular da aorta, reconhecido pelo trabalho com endopróteses fenestradas e ramificadas, sob orientação do Professor Stephan Haulon.

Graduou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluiu residência em Cirurgia Vascular pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e pela Associação Médica Brasileira. É autor de mais de vinte artigos e capítulos publicados em veículos internacionais. Saiba mais em /sobre/formacao/.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre o aneurisma toracoabdominal

Qual é a diferença entre endoprótese fenestrada e ramificada?

Na fenestrada, as aberturas ficam no próprio corpo do dispositivo, encostadas na parede da aorta, sobre a origem das artérias. Na ramificada, existem pequenos tubos que se projetam do dispositivo até cada artéria. A escolha depende do diâmetro da aorta naquele ponto, da angulação das artérias e de outros detalhes anatômicos.

Por que o dispositivo costuma demorar a ficar pronto?

Quando o dispositivo é confeccionado sob medida, o processo envolve o envio das medidas ao fabricante, a produção e o transporte. Esse intervalo faz parte do planejamento e é considerado ao se avaliar a urgência do caso. Não é possível estimar prazos de forma genérica.

Todo aneurisma toracoabdominal pode ser tratado por via endovascular?

Não. A anatomia precisa permitir a acomodação do dispositivo e o acesso às artérias viscerais. Em parte dos casos, a cirurgia aberta continua sendo a alternativa mais apropriada, e em outros a melhor decisão é manter o acompanhamento. A comparação entre as técnicas está detalhada em /aorta-aneurismas/aberta-x-endovascular/.

Quais exames devo levar à primeira consulta?

A angiotomografia de aorta é o exame central. Leve também laudos e exames anteriores, preferencialmente com as imagens em mídia digital, além da lista dos medicamentos em uso. Mais informações em /exames/.

Avaliação

Traga seus exames para uma conversa

Casos de aorta complexa merecem análise detalhada e conduzida sem pressa. Em consulta, é possível revisar as imagens, entender a extensão da doença e discutir as alternativas com transparência. Toda conduta é individualizada. Você também pode voltar à visão geral em /aorta-aneurismas/.

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Escrito e revisado por , Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.

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