Quando a dilatação envolve o segmento da aorta de onde saem as artérias dos órgãos, o planejamento se torna individualizado.
Agendar avaliaçãoChamamos de aneurisma toracoabdominal aquele que compromete simultaneamente a aorta torácica descendente e a aorta abdominal, atravessando a região do diafragma. É justamente nesse trecho que emergem as artérias responsáveis pela irrigação de órgãos vitais: o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais.
Essa particularidade anatômica altera todo o planejamento. Não é possível simplesmente revestir o segmento dilatado, porque isso interromperia o fluxo para o fígado, o estômago, o intestino e os rins. O tratamento precisa, ao mesmo tempo, excluir o aneurisma e preservar cada uma dessas artérias.
Por essa razão, o aneurisma toracoabdominal é considerado uma das situações de maior complexidade da cirurgia vascular, tanto na modalidade aberta quanto na endovascular.
A abordagem endovascular desses aneurismas utiliza dispositivos desenhados para respeitar as artérias viscerais. Nas endopróteses fenestradas, o tecido do dispositivo recebe aberturas posicionadas exatamente sobre a origem de cada artéria. Nas ramificadas, pequenos ramos tubulares saem do corpo principal e são conectados às artérias por meio de revestimentos próprios.
Em boa parte dos casos, esses dispositivos são fabricados sob medida, a partir dos dados obtidos na angiotomografia daquele paciente. Cada milímetro importa: a posição das fenestrações precisa coincidir com a anatomia real.
Existem também soluções de prateleira, com configuração padronizada, aplicáveis quando a anatomia se enquadra nas especificações do dispositivo. A escolha entre uma e outra estratégia faz parte do planejamento e é definida caso a caso.
Reconstrução tridimensional da angiotomografia, com mapeamento da origem de cada artéria visceral e das artérias de acesso.
Análise cardiológica, pulmonar e renal, além da condição funcional, para dimensionar riscos e preparar o organismo para o procedimento.
Procedimentos dessa natureza demandam ambiente hospitalar com recursos de imagem adequados e equipe multiprofissional habituada a esse tipo de caso.
O tratamento do aneurisma toracoabdominal carrega riscos proporcionais à sua complexidade. Entre as preocupações específicas está a isquemia medular, decorrente da redução do aporte sanguíneo à medula espinhal, que pode se manifestar por alterações de força nas pernas. Existem medidas de proteção reconhecidas, como o controle rigoroso da pressão arterial no período perioperatório e, em situações selecionadas, a drenagem de líquido cefalorraquidiano.
Também merecem atenção a função renal, sobretudo pelo uso de contraste e pela manipulação das artérias renais, além de complicações cardíacas, pulmonares e relacionadas aos acessos arteriais.
Nenhum desses riscos é apresentado aqui para assustar, mas para deixar claro que a decisão de tratar exige ponderação cuidadosa entre o risco da doença e o risco do procedimento. Essa análise é feita individualmente, em consulta.
O Dr. Matheus Mannarino realizou fellowship no Hôpital Marie Lannelongue, em Paris, centro de referência em cirurgia endovascular da aorta, reconhecido pelo trabalho com endopróteses fenestradas e ramificadas, sob orientação do Professor Stephan Haulon.
Graduou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluiu residência em Cirurgia Vascular pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e pela Associação Médica Brasileira. É autor de mais de vinte artigos e capítulos publicados em veículos internacionais. Saiba mais em /sobre/formacao/.
Na fenestrada, as aberturas ficam no próprio corpo do dispositivo, encostadas na parede da aorta, sobre a origem das artérias. Na ramificada, existem pequenos tubos que se projetam do dispositivo até cada artéria. A escolha depende do diâmetro da aorta naquele ponto, da angulação das artérias e de outros detalhes anatômicos.
Quando o dispositivo é confeccionado sob medida, o processo envolve o envio das medidas ao fabricante, a produção e o transporte. Esse intervalo faz parte do planejamento e é considerado ao se avaliar a urgência do caso. Não é possível estimar prazos de forma genérica.
Não. A anatomia precisa permitir a acomodação do dispositivo e o acesso às artérias viscerais. Em parte dos casos, a cirurgia aberta continua sendo a alternativa mais apropriada, e em outros a melhor decisão é manter o acompanhamento. A comparação entre as técnicas está detalhada em /aorta-aneurismas/aberta-x-endovascular/.
A angiotomografia de aorta é o exame central. Leve também laudos e exames anteriores, preferencialmente com as imagens em mídia digital, além da lista dos medicamentos em uso. Mais informações em /exames/.
Casos de aorta complexa merecem análise detalhada e conduzida sem pressa. Em consulta, é possível revisar as imagens, entender a extensão da doença e discutir as alternativas com transparência. Toda conduta é individualizada. Você também pode voltar à visão geral em /aorta-aneurismas/.
Escrito e revisado por Dr. Matheus Mannarino, Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.
As duas estratégias têm indicações próprias: entenda os critérios que orientam essa escolha.
LerQuando as camadas da parede da aorta se separam e o sangue passa a circular por um canal indevido.
LerUma explicação clara sobre o que significa a dilatação da aorta, onde ela ocorre e como costuma ser acompanhada.
LerA correção feita por dentro do próprio vaso, com endoprótese introduzida pelas artérias da virilha.
LerApresente os seus exames para uma análise individualizada, com esclarecimento completo do diagnóstico e das condutas indicadas.
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