A ferida de origem venosa é a expressão mais avançada da doença venosa crônica e exige tratamento da causa, não apenas do curativo.
Agendar avaliaçãoA úlcera venosa é uma ferida aberta que surge na perna, com maior frequência na região próxima ao tornozelo, sobretudo na face interna. Ela é consequência da hipertensão venosa crônica, ou seja, da pressão persistentemente elevada dentro das veias das pernas, que compromete a microcirculação, altera a pele e o tecido subcutâneo e reduz a capacidade de cicatrização.
Antes do aparecimento da ferida, a pele costuma dar sinais: escurecimento acastanhado nos tornozelos, endurecimento do tecido, áreas avermelhadas e descamativas, coceira e edema persistente. Reconhecer essa fase é importante, porque é nela que as medidas de proteção têm maior alcance. Queixas dessa fase estão descritas nas páginas sobre inchaço nas pernas e sintomas vasculares.
Feridas nas pernas podem ter outras origens, e o tratamento muda conforme a causa. Úlceras de origem arterial, decorrentes de obstrução do fluxo nas artérias, exigem conduta distinta e podem se agravar com a compressão inadequada. Feridas relacionadas ao diabetes, a doenças inflamatórias e a infecções também têm manejo próprio.
Por isso, a avaliação inclui o exame clínico completo das pernas, a palpação dos pulsos, o ecodoppler venoso e, quando indicado, o estudo arterial. A investigação da causa é o que permite montar um plano de tratamento coerente.
A hipertensão venosa crônica pode ter dois mecanismos, que muitas vezes convivem. O primeiro é o refluxo, situação em que as válvulas das veias deixam de conter o sangue no sentido correto e permitem que ele retorne em direção ao pé. O segundo é a obstrução, em que o sangue encontra dificuldade para deixar a perna.
A obstrução costuma ter como origem uma trombose venosa profunda anterior, que lesou as válvulas e deixou a veia parcialmente ocluída. Em parte dos casos, sobretudo quando a ferida acomete a perna esquerda e resiste ao tratamento bem conduzido, cabe considerar também uma compressão venosa na pelve, como a síndrome de May-Thurner.
Identificar qual mecanismo predomina orienta o plano terapêutico. Essa definição é individualizada e tomada em consulta médica.
Tratar apenas o curativo, sem enfrentar a pressão venosa elevada, costuma resultar em ciclos de fechamento e reabertura da ferida. As três frentes se sustentam mutuamente.
A adesão ao uso da compressão prescrita é o fator que mais influencia a evolução do quadro. Elevar as pernas em períodos do dia, manter a pele hidratada nas áreas íntegras, proteger a perna contra traumas, movimentar-se dentro do que for orientado e comparecer às revisões completam o conjunto de cuidados.
O controle de condições associadas, como diabetes, hipertensão arterial, obesidade e tabagismo, também interfere na evolução. Esse acompanhamento costuma envolver mais de um profissional, e a articulação entre eles faz parte do plano.
Não é possível prever prazos de cicatrização. O processo depende do tamanho e do tempo da lesão, da causa identificada, das condições clínicas e da resposta individual, e precisa ser acompanhado de perto.
Porque a causa da lesão é a pressão elevada dentro das veias. Se ela não é controlada pela compressão e, quando indicado, pela correção do mecanismo responsável, a pele permanece frágil e a ferida tende a retornar. O cuidado após a cicatrização é parte do tratamento.
Não é recomendável. A compressão precisa de graduação adequada e depende da confirmação de que a circulação arterial da perna a tolera. O uso inadequado pode agravar determinadas situações. A indicação é sempre médica.
Pode. Aumento da dor, secreção com odor, vermelhidão que se estende ao redor da ferida, calor local e febre são sinais que exigem avaliação sem demora. A conduta é definida pelo médico após o exame.
Quando o estudo por imagem identifica refluxo ou obstrução relevantes, corrigir esse mecanismo pode contribuir para reduzir a hipertensão venosa e para diminuir o risco de a ferida retornar. A indicação depende do que o exame mostrar e das condições clínicas, e é decidida individualmente.
Se você convive com uma ferida que não cicatriza ou que retorna com frequência, procure avaliação com o cirurgião vascular. Para compreender o conjunto do tema, retorne à página sobre doença venosa e síndromes compressivas.
Escrito e revisado por Dr. Matheus Mannarino, Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.
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