Matheus MannarinoCirurgia Vascular e Endovascular Agendar consulta
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Trombose na gravidez: sinais que a gestante precisa conhecer

A gestação aumenta em várias vezes o risco de trombose, e o período de maior perigo não é a gravidez em si, e sim as primeiras semanas após o parto. Diferenciar o inchaço normal da gestação de um sinal de trombose é o ponto central — e a regra prática é observar se as duas pernas estão iguais.

Por que o risco aumenta

Três alterações acontecem ao mesmo tempo. O sangue passa a coagular com mais facilidade, por ação hormonal — uma adaptação natural que protege contra hemorragia no parto. O útero em crescimento comprime as veias da pelve e dificulta o retorno do sangue das pernas. E a mobilidade diminui, sobretudo no fim da gestação e no puerpério.

A compressão explica um detalhe clínico útil: a trombose na gestação acomete a perna esquerda com muito mais frequência, pela posição da veia ilíaca esquerda sob a artéria que cruza sobre ela.

O que é inchaço normal e o que não é

É esperado que a gestante tenha inchaço nos tornozelos e nos pés, sobretudo no fim do dia e no calor, e que ele melhore com repouso e com as pernas elevadas. Esse inchaço é simétrico.

Devem acender o alerta:

  • Inchaço em uma perna só, ou nitidamente maior de um lado
  • Dor ou endurecimento da panturrilha, que piora ao caminhar
  • Calor e vermelhidão localizados
  • Veias superficiais mais aparentes em apenas um lado

Diante de qualquer um desses sinais, a avaliação deve ser no mesmo dia. O ecodoppler venoso é seguro em qualquer fase da gestação, porque não usa radiação nem contraste.

Sinais de emergência

Falta de ar súbita, dor no peito ao respirar fundo, tosse com sangue ou desmaio exigem emergência imediata. A embolia pulmonar é uma das principais causas de morte materna, e o quadro é tratável quando reconhecido a tempo.

Como é o tratamento

O tratamento na gestação é feito com heparina de baixo peso molecular, aplicada por via subcutânea. Ela não atravessa a placenta e é considerada segura para o bebê. Os anticoagulantes orais mais modernos e a varfarina não são usados durante a gestação, pelo risco fetal.

O tratamento costuma ser mantido durante toda a gravidez e por pelo menos seis semanas após o parto, período em que o risco permanece elevado. A amamentação é compatível com a heparina.

Prevenção em quem tem risco aumentado

Gestantes com trombose anterior, trombofilia conhecida, obesidade, repouso prolongado ou cesariana de urgência podem receber prevenção com heparina em dose profilática, decidida caso a caso. Para todas, valem as medidas gerais: manter-se ativa dentro do possível, hidratar-se, evitar longos períodos imóvel e usar meia de compressão quando indicada.

Perguntas frequentes

Quem teve trombose pode engravidar?

Pode, com planejamento. A gestação deve ser acompanhada em conjunto pelo obstetra e pelo cirurgião vascular, e o esquema de prevenção definido antes da concepção.

Meia de compressão na gravidez ajuda?

Ajuda a reduzir o inchaço e o desconforto e é recomendada em várias situações. O grau de compressão e o modelo devem ser indicados pelo médico.

Varizes que surgiram na gestação viram trombose?

Não são a mesma coisa, e a maioria das varizes gestacionais melhora após o parto. Ainda assim, merecem avaliação vascular quando persistem.

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