A compressão da veia ilíaca comum esquerda na pelve pode dificultar o retorno do sangue da perna esquerda e favorecer a trombose.
Agendar avaliaçãoA veia ilíaca comum esquerda drena o sangue de toda a perna esquerda em direção à veia cava inferior. No seu trajeto, ela atravessa um ponto estreito da pelve: passa por baixo da artéria ilíaca comum direita, que a cruza, e tem logo atrás de si a quinta vértebra lombar. A artéria, de parede espessa e pulsátil, pode comprimir a veia contra esse osso.
Essa situação recebeu o nome de síndrome de May-Thurner. Com o passar do tempo, o estímulo repetido sobre a parede da veia pode provocar espessamento interno e a formação de traves fibrosas, o que estreita ainda mais o canal e dificulta a saída do sangue da perna esquerda.
Convém separar dois conceitos. A compressão é um achado anatômico, presente em muitas pessoas que nunca apresentarão sintoma algum. A síndrome existe quando essa compressão produz repercussão clínica. Reconhecer a diferença evita tanto o descuido quanto o excesso de intervenção.
Nenhum desses achados confirma o diagnóstico isoladamente. Eles indicam que a investigação precisa ir além do estudo habitual das pernas e alcançar o trajeto venoso da pelve. Diante de dor e inchaço de instalação rápida em uma perna, procure um serviço de emergência: o consultório realiza avaliação eletiva, com consultas agendadas.
O ponto de partida costuma ser a ultrassonografia com doppler, apresentada na página sobre o ecodoppler. Ela avalia as veias da perna, verifica a presença de trombo e sugere obstrução mais alta pelo padrão do fluxo, embora tenha limitações para enxergar a pelve.
Para estudar diretamente a veia ilíaca, recorre-se à angiotomografia e à angiorressonância venosa, que mostram o ponto de compressão, o grau de estreitamento e a circulação colateral que o organismo desenvolveu. Quando a dúvida persiste ou quando se cogita uma abordagem, a flebografia associada à ultrassonografia intravascular permite avaliar o calibre da veia por dentro.
A indicação de cada exame é individualizada e definida em consulta médica, conforme a suspeita, a idade e o quadro clínico. Os métodos disponíveis estão reunidos na página de exames vasculares.
Não existe conduta automática diante do achado. Quando há trombose associada, a anticoagulação é o primeiro pilar, com escolha, dose e duração definidas pelo médico. As medidas clínicas, como a terapia compressiva e a movimentação regular, acompanham todo o processo.
Em casos selecionados, o tratamento endovascular pode ser considerado. Por punção venosa, o segmento comprimido é dilatado com balão e recebe um stent venoso dedicado, projetado para resistir à compressão externa. O procedimento é associado à anticoagulação quando ela está indicada e exige acompanhamento posterior com exames de imagem.
A escolha depende da intensidade dos sintomas, do grau de obstrução, do tempo de evolução, das condições clínicas e da resposta ao tratamento clínico. É uma decisão individualizada, tomada em consulta médica, com discussão aberta sobre o que se espera de cada alternativa e sobre os riscos envolvidos.
Por uma questão de trajeto. É a veia ilíaca comum esquerda que passa por baixo da artéria ilíaca comum direita e fica pressionada contra a coluna lombar. Do lado direito, a relação entre os vasos é diferente, e por isso a compressão com repercussão clínica é característica do lado esquerdo.
Não. A compressão é um fator anatômico predisponente, e não a trombose em si. Muitas pessoas convivem com ela sem qualquer episódio. A trombose depende da combinação desse fator com outros, como imobilidade, cirurgia, gestação, uso de hormônios e alterações da coagulação.
Em geral, o tratamento endovascular não substitui a anticoagulação quando ela está indicada. O esquema medicamentoso, sua duração e os ajustes ao longo do tempo são definidos pelo médico a partir do seu caso, e revistos nas consultas de acompanhamento.
Sim. Parte das pessoas chega ao diagnóstico durante a investigação de inchaço crônico da perna esquerda ou de doença venosa que não responde ao tratamento habitual, sem episódio prévio de trombose. A conduta, nesses casos, tende a ser mais conservadora e depende da repercussão dos sintomas.
Se você convive com inchaço persistente de um lado apenas, com histórico de trombose extensa da perna esquerda ou com doença venosa que não melhora, vale investigar o trajeto venoso da pelve. Para o panorama do assunto, retorne à página sobre doença venosa e síndromes compressivas.
Escrito e revisado por Dr. Matheus Mannarino, Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.
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