Matheus MannarinoCirurgia Vascular e Endovascular Agendar consulta
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Trombose mata? O que acontece quando não é tratada

A trombose venosa profunda pode matar, mas raramente é o coágulo da perna que causa a morte: o risco está na embolia pulmonar, que acontece quando um fragmento desse coágulo se desprende e chega aos pulmões. Tratada a tempo, a grande maioria dos casos evolui bem — e é justamente por isso que a demora em procurar atendimento é o que mais pesa no desfecho.

O que torna a trombose perigosa

O coágulo formado dentro de uma veia da perna adere à parede, mas nem sempre de forma firme. Enquanto está em formação, a sua ponta pode se soltar. Esse fragmento não encontra obstáculo: sobe pelas veias, atravessa o lado direito do coração e para nas artérias do pulmão, onde interrompe a circulação de uma área do órgão.

É esse o quadro que ameaça a vida. Quando a área bloqueada é pequena, os sintomas são discretos e o organismo compensa. Quando é extensa, o coração passa a bombear contra uma resistência que não consegue vencer, e o quadro pode ser fatal em minutos.

Os sinais de emergência

Procure atendimento de emergência imediatamente diante de:

  • Falta de ar de início súbito, sem esforço que a explique
  • Dor no peito que piora ao respirar fundo
  • Tosse com sangue
  • Coração acelerado, suor frio, sensação de desmaio
  • Desmaio em quem está com uma perna inchada

Esses sintomas em alguém que teve a perna inchada nos dias anteriores devem ser tratados como embolia pulmonar até que se prove o contrário.

O risco cai muito com o tratamento

Uma vez confirmada a trombose venosa profunda e iniciada a anticoagulação, o risco de embolia despenca. O anticoagulante não dissolve o coágulo existente — ele impede que ele cresça e que novos se formem, dando tempo ao organismo de reabsorver o que já está lá e de fixar o restante à parede da veia.

É por isso que o intervalo entre o primeiro sintoma e o começo do tratamento importa tanto. Uma perna que inchou e dói na panturrilha merece avaliação no mesmo dia, não na semana seguinte.

O que acontece quando não se trata

Além do risco imediato de embolia, a trombose não tratada deixa consequências na própria perna. O coágulo danifica as válvulas internas da veia, e o retorno do sangue passa a ser permanentemente ineficiente. Anos depois, isso se manifesta como inchaço crônico, dor ao ficar em pé, escurecimento da pele do tornozelo e, nos casos mais avançados, úlceras que custam a cicatrizar.

Essa é a síndrome pós-trombótica, e ela não é rara: acomete uma parcela relevante de quem teve trombose, sobretudo entre os que interromperam o tratamento cedo demais ou não usaram meia de compressão.

Quem está sob maior risco

O desfecho é pior quando há atraso no diagnóstico, quando o coágulo é extenso e alcança as veias da coxa e da pelve, quando existe câncer em atividade e quando o episódio ocorre logo após uma cirurgia de grande porte. Também preocupa a trombose que se repete: cada novo episódio soma dano à circulação da perna.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois do coágulo se formar pode ocorrer a embolia?

Não há prazo fixo. A embolia pode acontecer nos primeiros dias, quando o coágulo ainda está frouxo, e é justamente esse o período em que o tratamento precoce mais protege.

Andar aumenta o risco de o coágulo se soltar?

Não. Essa é uma crença antiga, e o entendimento atual é o oposto: após iniciada a anticoagulação, caminhar é estimulado, porque melhora a circulação e reduz a dor e o inchaço.

Trombose superficial também mata?

A tromboflebite superficial é bem menos perigosa, mas não é inofensiva: quando se aproxima da junção com o sistema profundo, pode se estender e exigir anticoagulação. Merece avaliação, não apenas compressa morna.

Agende uma avaliação se você teve inchaço em uma perna ou já apresentou trombose antes.

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