A trombose venosa profunda pode matar, mas raramente é o coágulo da perna que causa a morte: o risco está na embolia pulmonar, que acontece quando um fragmento desse coágulo se desprende e chega aos pulmões. Tratada a tempo, a grande maioria dos casos evolui bem — e é justamente por isso que a demora em procurar atendimento é o que mais pesa no desfecho.
O coágulo formado dentro de uma veia da perna adere à parede, mas nem sempre de forma firme. Enquanto está em formação, a sua ponta pode se soltar. Esse fragmento não encontra obstáculo: sobe pelas veias, atravessa o lado direito do coração e para nas artérias do pulmão, onde interrompe a circulação de uma área do órgão.
É esse o quadro que ameaça a vida. Quando a área bloqueada é pequena, os sintomas são discretos e o organismo compensa. Quando é extensa, o coração passa a bombear contra uma resistência que não consegue vencer, e o quadro pode ser fatal em minutos.
Procure atendimento de emergência imediatamente diante de:
Esses sintomas em alguém que teve a perna inchada nos dias anteriores devem ser tratados como embolia pulmonar até que se prove o contrário.
Uma vez confirmada a trombose venosa profunda e iniciada a anticoagulação, o risco de embolia despenca. O anticoagulante não dissolve o coágulo existente — ele impede que ele cresça e que novos se formem, dando tempo ao organismo de reabsorver o que já está lá e de fixar o restante à parede da veia.
É por isso que o intervalo entre o primeiro sintoma e o começo do tratamento importa tanto. Uma perna que inchou e dói na panturrilha merece avaliação no mesmo dia, não na semana seguinte.
Além do risco imediato de embolia, a trombose não tratada deixa consequências na própria perna. O coágulo danifica as válvulas internas da veia, e o retorno do sangue passa a ser permanentemente ineficiente. Anos depois, isso se manifesta como inchaço crônico, dor ao ficar em pé, escurecimento da pele do tornozelo e, nos casos mais avançados, úlceras que custam a cicatrizar.
Essa é a síndrome pós-trombótica, e ela não é rara: acomete uma parcela relevante de quem teve trombose, sobretudo entre os que interromperam o tratamento cedo demais ou não usaram meia de compressão.
O desfecho é pior quando há atraso no diagnóstico, quando o coágulo é extenso e alcança as veias da coxa e da pelve, quando existe câncer em atividade e quando o episódio ocorre logo após uma cirurgia de grande porte. Também preocupa a trombose que se repete: cada novo episódio soma dano à circulação da perna.
Não há prazo fixo. A embolia pode acontecer nos primeiros dias, quando o coágulo ainda está frouxo, e é justamente esse o período em que o tratamento precoce mais protege.
Não. Essa é uma crença antiga, e o entendimento atual é o oposto: após iniciada a anticoagulação, caminhar é estimulado, porque melhora a circulação e reduz a dor e o inchaço.
A tromboflebite superficial é bem menos perigosa, mas não é inofensiva: quando se aproxima da junção com o sistema profundo, pode se estender e exigir anticoagulação. Merece avaliação, não apenas compressa morna.
Agende uma avaliação se você teve inchaço em uma perna ou já apresentou trombose antes.
Apresente os seus exames para uma análise individualizada, com esclarecimento completo do diagnóstico e das condutas indicadas.
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