No diabetes, a perda de sensibilidade e a redução do fluxo arterial podem caminhar juntas, e isso muda o cuidado com os pés.
Agendar avaliaçãoO termo pé diabético reúne as alterações que o diabetes de longa data pode provocar nos pés, resultado, em graus variáveis, da combinação de três componentes.
O primeiro é a neuropatia, a lesão dos nervos periféricos, que reduz a sensibilidade à dor, à temperatura e à pressão e altera a distribuição do peso ao caminhar. O segundo é a isquemia, a redução do fluxo arterial, que compromete a chegada de oxigênio e dificulta a cicatrização. O terceiro é a infecção, que se instala com mais facilidade quando há ferida e circulação insuficiente.
No diabetes, a doença arterial periférica tende a acometer as artérias mais finas da perna e do pé, o que exige planejamento específico quando se cogita um tratamento.
Uma pessoa sem diabetes que desenvolve obstrução arterial costuma sentir dor ao caminhar. Quem tem neuropatia diabética pode não sentir esse aviso, ou senti-lo de forma atenuada.
A consequência prática é importante: a ausência de dor não significa que a circulação esteja preservada. Não é raro que o primeiro sinal perceptível seja uma ferida, um calo que escureceu ou uma bolha que não cicatriza.
Por isso, a avaliação dos pés em quem tem diabetes é feita por observação regular e exame clínico periódico, e não apenas quando surge desconforto.
Ferida com sinais de infecção ou escurecimento da pele requer avaliação médica com prioridade ou atendimento em serviço de emergência, conforme a gravidade.
A avaliação vascular inclui a palpação dos pulsos do pé, a inspeção da pele e a análise da ferida, quando existe. O exame com monofilamento e diapasão verifica a sensibilidade protetora.
O índice tornozelo-braço é utilizado, mas exige interpretação cuidadosa: no diabetes de longa data, a calcificação da camada média das artérias pode tornar o vaso pouco compressível e produzir valores falsamente elevados. Nesses casos, recorre-se a medidas complementares, como o índice dedo-braço e a análise das curvas de fluxo.
O ecodoppler arterial avalia o trajeto das artérias e a qualidade do fluxo até o pé. Quando se considera revascularização, exames adicionais podem ser solicitados, como descrito na página de exames vasculares.
O tratamento do pé diabético raramente depende de uma única medida. Ele costuma reunir:
Quando o quadro evolui para dor em repouso ou necrose, aplica-se o descrito na página sobre isquemia crítica. A conduta é sempre individualizada e definida em consulta médica.
Não. O risco aumenta com o tempo de doença e com o controle glicêmico inadequado, mas muitas pessoas com diabetes nunca desenvolvem lesões nos pés. O acompanhamento regular e o cuidado diário têm papel central.
Não é possível concluir isso. A neuropatia pode reduzir a percepção de dor mesmo quando existe obstrução arterial relevante. A avaliação depende de exame clínico e de exames complementares.
Não. Muitas feridas cicatrizam com tratamento adequado, sobretudo quando a circulação é avaliada cedo e restabelecida quando necessário. O prognóstico depende de vários fatores e é discutido individualmente.
O cuidado profissional dos pés pode ser útil, desde que realizado com técnica adequada e com conhecimento da sua condição. Informe sempre que tem diabetes e evite procedimentos cortantes sobre calos e cutículas.
A avaliação vascular periódica faz parte do cuidado de quem convive com diabetes. O Dr. Matheus Mannarino atende no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.
Escrito e revisado por Dr. Matheus Mannarino, Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.
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