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Complicações

Fístula que não desenvolve ou que estreita

Quando o acesso não amadurece ou passa a apresentar dificuldades, existem recursos capazes de recuperá-lo.

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CRM 52.0108.215-9  ·  RQE 49448  ·  Jardim Botânico · Rio de Janeiro
Contexto

Nem sempre o acesso segue o caminho esperado

A fístula arteriovenosa é uma estrutura viva, submetida a um regime de fluxo que não existe naturalmente no corpo e a punções repetidas ao longo de anos. É compreensível que, em parte dos casos, ela apresente dificuldades: pode não amadurecer como esperado após a cirurgia, ou pode desenvolver estreitamentos depois de meses ou anos de bom funcionamento.

Essas situações não significam necessariamente a perda do acesso. Boa parte delas tem tratamento, e o resultado tende a ser mais favorável quando o problema é identificado cedo. Esse é o principal motivo pelo qual o acompanhamento regular e a atenção aos sinais diários importam tanto.

Primeira situação

A fístula que não amadurece

Fala-se em falha de maturação quando a fístula, depois de decorrido o tempo esperado, não atingiu o calibre e o fluxo necessários para ser puncionada com segurança. Isso pode ocorrer por diversos motivos.

Entre as causas mais comuns estão a presença de veias colaterais que desviam o fluxo do trajeto principal, um estreitamento próximo à conexão entre artéria e veia, uma veia de calibre limítrofe desde o início ou uma artéria com fluxo insuficiente para promover a arterialização.

A investigação começa pelo exame físico e pelo ecodoppler vascular, que identifica onde está o obstáculo. Em situações selecionadas, complementa-se com estudo contrastado. A partir desse mapeamento, discute-se a conduta, que pode ser endovascular, cirúrgica ou, em alguns casos, a confecção de um novo acesso em outro ponto.

Segunda situação

A estenose de um acesso que funcionava

Estenose é o estreitamento do vaso. Em uma fístula, ela costuma se desenvolver de forma progressiva, em resposta ao fluxo turbulento e às punções repetidas, e pode aparecer perto da anastomose, ao longo do trajeto ou nas veias centrais do tórax.

Os primeiros sinais aparecem, com frequência, durante a sessão de hemodiálise: dificuldade de punção, pressões anormais registradas pela máquina, redução do fluxo alcançado, sangramento prolongado após a retirada das agulhas ou piora na qualidade da diálise percebida pelos exames.

No exame diário, a estenose pode se manifestar como mudança do frêmito, que deixa de ser contínuo e passa a ser mais pulsátil, ou como inchaço do braço quando o estreitamento está em uma veia central.

Outras alterações

Situações que também exigem avaliação

Tratamento

Recursos disponíveis para o resgate do acesso

Boa parte das estenoses pode ser tratada por via endovascular, com angioplastia por balão realizada por meio de uma punção no próprio acesso. Em determinadas situações, utiliza-se stent. São procedimentos minimamente invasivos, habitualmente realizados com anestesia local.

Quando o problema é anatômico e não se resolve por dilatação, recorre-se a técnicas cirúrgicas: ligadura de veias colaterais, revisão da anastomose, ressecção de segmentos dilatados, interposição de enxerto ou confecção de um novo acesso em outra posição, preservando o que for possível.

A escolha entre essas alternativas depende do local e da natureza do problema, do estado geral do acesso e das suas condições clínicas. A conduta é individualizada e definida em consulta médica, em conjunto com a equipe de nefrologia. O Dr. Matheus Mannarino possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e pela Associação Médica Brasileira, o que permite discutir as duas abordagens dentro da mesma avaliação.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre complicações do acesso

Perdi o frêmito da fístula. O que devo fazer?

Entre em contato com a sua equipe de diálise imediatamente e procure atendimento. A ausência de frêmito pode indicar trombose do acesso, e as chances de recuperação são maiores quanto mais cedo a avaliação acontece. Não espere até a próxima sessão programada.

Se a fístula estreitou, vou precisar de uma nova cirurgia?

Não necessariamente. Muitas estenoses são tratadas por via endovascular, com angioplastia por balão, sem necessidade de nova cirurgia aberta. A definição depende do exame de imagem e da avaliação clínica do seu caso.

Uma angioplastia resolve para sempre?

Não é possível assegurar isso. A estenose pode retornar, e alguns pacientes necessitam de procedimentos repetidos ao longo do tempo para manter o acesso funcionante. O acompanhamento regular permite identificar a recorrência antes que ela comprometa as sessões.

Se a fístula for perdida, acabam as opções?

Na maior parte das vezes não. Existem outros locais possíveis para confecção de acesso, além das alternativas de prótese e de cateter de longa permanência. O mapeamento vascular indica quais recursos ainda estão disponíveis no seu caso.

Próximo passo

Avaliação do acesso com alteração

Se a sua equipe de diálise identificou alguma mudança no comportamento do acesso, ou se você percebeu alteração no frêmito, no aspecto do braço ou na mão, a avaliação com o cirurgião vascular permite investigar a causa e discutir as opções de tratamento.

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Escrito e revisado por , Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.

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