Quando o acesso não amadurece ou passa a apresentar dificuldades, existem recursos capazes de recuperá-lo.
Agendar avaliaçãoA fístula arteriovenosa é uma estrutura viva, submetida a um regime de fluxo que não existe naturalmente no corpo e a punções repetidas ao longo de anos. É compreensível que, em parte dos casos, ela apresente dificuldades: pode não amadurecer como esperado após a cirurgia, ou pode desenvolver estreitamentos depois de meses ou anos de bom funcionamento.
Essas situações não significam necessariamente a perda do acesso. Boa parte delas tem tratamento, e o resultado tende a ser mais favorável quando o problema é identificado cedo. Esse é o principal motivo pelo qual o acompanhamento regular e a atenção aos sinais diários importam tanto.
Fala-se em falha de maturação quando a fístula, depois de decorrido o tempo esperado, não atingiu o calibre e o fluxo necessários para ser puncionada com segurança. Isso pode ocorrer por diversos motivos.
Entre as causas mais comuns estão a presença de veias colaterais que desviam o fluxo do trajeto principal, um estreitamento próximo à conexão entre artéria e veia, uma veia de calibre limítrofe desde o início ou uma artéria com fluxo insuficiente para promover a arterialização.
A investigação começa pelo exame físico e pelo ecodoppler vascular, que identifica onde está o obstáculo. Em situações selecionadas, complementa-se com estudo contrastado. A partir desse mapeamento, discute-se a conduta, que pode ser endovascular, cirúrgica ou, em alguns casos, a confecção de um novo acesso em outro ponto.
Estenose é o estreitamento do vaso. Em uma fístula, ela costuma se desenvolver de forma progressiva, em resposta ao fluxo turbulento e às punções repetidas, e pode aparecer perto da anastomose, ao longo do trajeto ou nas veias centrais do tórax.
Os primeiros sinais aparecem, com frequência, durante a sessão de hemodiálise: dificuldade de punção, pressões anormais registradas pela máquina, redução do fluxo alcançado, sangramento prolongado após a retirada das agulhas ou piora na qualidade da diálise percebida pelos exames.
No exame diário, a estenose pode se manifestar como mudança do frêmito, que deixa de ser contínuo e passa a ser mais pulsátil, ou como inchaço do braço quando o estreitamento está em uma veia central.
Boa parte das estenoses pode ser tratada por via endovascular, com angioplastia por balão realizada por meio de uma punção no próprio acesso. Em determinadas situações, utiliza-se stent. São procedimentos minimamente invasivos, habitualmente realizados com anestesia local.
Quando o problema é anatômico e não se resolve por dilatação, recorre-se a técnicas cirúrgicas: ligadura de veias colaterais, revisão da anastomose, ressecção de segmentos dilatados, interposição de enxerto ou confecção de um novo acesso em outra posição, preservando o que for possível.
A escolha entre essas alternativas depende do local e da natureza do problema, do estado geral do acesso e das suas condições clínicas. A conduta é individualizada e definida em consulta médica, em conjunto com a equipe de nefrologia. O Dr. Matheus Mannarino possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e pela Associação Médica Brasileira, o que permite discutir as duas abordagens dentro da mesma avaliação.
Entre em contato com a sua equipe de diálise imediatamente e procure atendimento. A ausência de frêmito pode indicar trombose do acesso, e as chances de recuperação são maiores quanto mais cedo a avaliação acontece. Não espere até a próxima sessão programada.
Não necessariamente. Muitas estenoses são tratadas por via endovascular, com angioplastia por balão, sem necessidade de nova cirurgia aberta. A definição depende do exame de imagem e da avaliação clínica do seu caso.
Não é possível assegurar isso. A estenose pode retornar, e alguns pacientes necessitam de procedimentos repetidos ao longo do tempo para manter o acesso funcionante. O acompanhamento regular permite identificar a recorrência antes que ela comprometa as sessões.
Na maior parte das vezes não. Existem outros locais possíveis para confecção de acesso, além das alternativas de prótese e de cateter de longa permanência. O mapeamento vascular indica quais recursos ainda estão disponíveis no seu caso.
Se a sua equipe de diálise identificou alguma mudança no comportamento do acesso, ou se você percebeu alteração no frêmito, no aspecto do braço ou na mão, a avaliação com o cirurgião vascular permite investigar a causa e discutir as opções de tratamento.
Voltar para acesso para hemodiálise. Veja também cuidados diários com a fístula e ecodoppler vascular.
Escrito e revisado por Dr. Matheus Mannarino, Cirurgia Vascular e Endovascular. CRM 52.0108.215-9 · RQE 49448.
Última revisão em 10 de agosto de 2026.
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